Foto de Dayse Porto durante oficina do grupo de mulheres “Na raça e na cor”, da Federação das Organizações Quilombolas de Santarém (FOQS), no quilombo Patos de Ituqui, março de 2017. 

Apresentado no 9º Congresso Latinoamericano de Ciência Política, o artigo Entre lutas por reconhecimento e relações de poder: o papel das mulheres na organização sociopolítica do movimento quilombola no Pará, Brasil, da assessora de comunicação da Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu), Janine Bargas, e da professora da  Faculdade de Comunicação Social da UFPA, Danila Cal, analisa o papel das mulheres na organização sociopolítica atual do movimento quilombola no estado do Pará.

As associações, os encontros estaduais e a presença feminina nos espaços de tomada de decisão política do movimento quilombola paraense, representam, segundo as autoras, a complexificação do papel da mulher nas suas lutas por reconhecimento em um novo cenário. Sem deixar de exercer suas responsabilidades no ambiente doméstico, essas mulheres assumem novas atribuições na esfera política.

Resgatando a configuração histórica, dados e conflitos, assim como a conceituação de “quilombo”, o artigo apresenta uma contextualização dos processos históricos e sociais que culminaram na luta quilombola do Pará para lançar luz a duas perguntas norteadoras: no interior desse processo, como as mulheres se posicionam e são posicionadas? Como as relações de poder e as questões de gênero influenciam a luta por reconhecimento dos quilombolas?

A partir de um referencial teórico que destaca três aspectos das relações de poder (dominação, resistência e empoderamento, e solidariedade) as autoras analisam a “atuação das mulheres na atuação política de luta por reconhecimento dos quilombolas de modo geral e, especificamente, das na luta das próprias mulheres por reconhecimento intra e extra comunidades nas quais estão inseridas”.

Discutindo a importância da interseccionalidade, o artigo atenta para as diferentes formas de opressão embutidas na roupagem do feminino e utiliza respostas de mulheres quilombolas, obtidas através de questionário, para auxiliar na interpretação sobre a atuação da mulher como sujeito político.

A análise revela que está ocorrendo um processo de complexificação dos papéis da mulher quilombola, que atuam como resistentes por meio do associativismo, além de protagonizarem mobilizações e atuarem para ampliação dos padrões de reconhecimento dos quilombolas. Ainda, o artigo conclui que há busca não apenas da justiça social, “mas a uma solidariedade política e a uma busca verdadeiramente emancipatória por justiça que se pretende extensiva a todas e todos”.

Leia o artigo Entre lutas por reconhecimento e relações de poder: o papel das mulheres na organização sociopolítica do movimento quilombola no Pará, Brasil na íntegra.