Filme resgata experiências da luta quilombola pelo direito à terra

Em pouco mais de 5 minutos, o curta-metragem Guerreiras Quilombolas Amazônidas apresenta a vivência de mulheres quilombolas que avançam no debate sobre territorialidades, fortalecendo os processos políticos de suas comunidades através da perspectiva do combate ao racismo e machismo.

Lançado nesta terça-feira (15) pelo grupo de mulheres Na raça e na cor, da Federação das Organizações Quilombolas de Santarém (FOQS), o filme tem base nos acúmulos das oficinas promovidas pelo grupo durante o primeiro semestre de 2017.  O ciclo de encontros foi finalizado com o Encontro de Mulheres Quilombolas do Baixo Amazonas, realizado nos dias 8 e 9 de julho.

Durante a atividade, que reuniu cerca de 60 pessoas, participantes debateram o modo de vida, a organização social, cultural e política quilombola por meio da discussão sobre territorialidade, fortalecendo a luta das 12 comunidades representadas pela FOQS pela titulação e efetivação de seu direito à terra.

Sem a intenção de representar as comunidades quilombolas de forma singular, o vídeo apresenta experiências de mulheres com diferentes idades e trajetórias que se conectam na luta cotidiana contra o racismo e machismo, e pelos impactos da não titulação de seus territórios.

Ainda, as quilombolas falam da ameaça mais recente às comunidades quilombolas: o julgamento da constitucionalidade do Decreto Federal 4887/2003, que acontecerá nesta quarta-feira (16) no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Hoje a gente tá discutindo a questão do Decreto 4887/2003 muito preocupadas porque ele corre o risco de cair”, destaca Rejane Maria, da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). “O nosso território é que tá em jogo e nosso território é nossa vida”, pontua.

Leia: Mulheres quilombolas enviam carta ao STF por julgamento de ação que define futuro dos territórios quilombolas no Brasil

>> A campanha “O Brasil é quilombola! Nenhum quilombo a menos!” é uma iniciativa da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) que visa colher assinaturas da sociedade civil para dizer ao Supremo Tribunal Federal que o Brasil não concorda com a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pelo Partido Democratas (DEM) que será julgada pelo Supremo nesta quarta-feira (16). Até o momento já são mais de 78 mil assinaturas, colabore!

O curta-metragem Guerreiras Quilombolas Amazônidas é uma realização do grupo de mulheres quilombolas Na raça e na cor e das organizações Terra de Direitos, FOQS e CONAQ com apoio das organizações Fundação Ford, CESE e SOS Corpo.

Sinopse

Quais os desafios pra formação de grupos de mulheres das comunidades quilombolas? Uma das respostas pra essa pergunta, segundo quilombolas de Santarém (PA), é trabalhar a autoestima da mulher, “fazer com que ela se sinta capaz”. Uma pluralidade de experiências se unem através de uma mesma luta: reconhecimento e titulação de seus territórios. Guerreiras Quilombolas Amazônidas apresenta a vivência e vozes de diferentes mulheres que se conectam na luta cotidiana contra o racismo e machismo, e pelos impactos da não titulação de seus territórios. Rejane Maria, Valéria Carneiro, Agda Vasconcelos, Lívia Arrelias, Cleide do Arapemã, Lídia Roberta Amaral, Cássia Rodrigues e Joice Eliane falam sobre a luta, desafios e ameaças enfrentadas pelas comunidades quilombolas do Brasil da atualidade por meio da perspectiva do combate ao racismo e machismo.

Curta-metragem | Guerreiras Quilombolas Amazônidas

Título: Guerreiras Quilombolas Amazônidas
Gênero: Documentário
Duração:  5 minutos
Lançamento: Brasil, 2017
Classificação: Livre

Ficha técnica

Realização: Grupo de Mulheres “Na raça e na cor”, Terra de Direitos, FOQS e CONAQ
Produção: Dayse Porto
Roteiro: Carlos Bandeira, Dayse Porto, Fernando Prioste e Layza Queiroz
Fotografia e edição: Carlos Bandeira
Contribuições: Franciele Petry Schramm e Lucas P. Souza‎
Trilha sonora: Cleide do Arapemã
Apoio: Fundação Ford, CESE e SOS Corpo

Assista: