Presidenta da Associação de Remanescentes de Quilombos do Arapemã residentes no Maicá, Lídia Roberta de Matos Amaral acredita que o racismo é um dos grandes obstáculos para o reconhecimento e titulação das comunidades quilombolas. “Se a gente procurar o conhecimento de onde veio nossas raízes, a nossa história, a gente se fortalece. Mais é muito difícil da gente mesmo se reconhecer por causa do preconceito que tem, e a gente recebe tiro de tudo quanto é lado, até no jeito de olhar”, conta.

Em entrevista à reportagem da série especial quilombola Na raça e na cor, a liderança quilombola falou sobre racismo e identidade quilombola, machismo e a organização das mulheres quilombolas de Santarém.

A quilombola lembra que foi após ficar “perdida” nas aulas de história na escola que começou a se informar sobre suas raízes e descobriu sua origem quilombola. Ela acredita que o autorreconhecimento não é um processo simples devido a expulsão de famílias quilombolas de seus territórios, “a família da gente veio migrando de comunidade em comunidade até chegar na área urbana, e aí nisso acabou se perdendo”.

Lídia considera a busca pelo conhecimento e o envolvimento com a militância quilombola formas de emancipação. Ao falar sobre a experiência de articulação das mulheres quilombolas de Santarém, ela conta que muitas mulheres chegam ao movimento “sem chão”, mas que aos poucos elas conquistam autonomia para lutar contra as opressões fundamentadas no racismo, machismo e classe social.

“A gente chega aqui sem chão, aí gente começa a aprender, obter conhecimento e a gente vai se auto profissionalizando, e muitas acabam conseguindo um emprego”, afirma. Defendendo que a militância quilombola inspira e gera bons frutos, Lídia acredita no efeito dominó do resultado deste trabalho, “aí ela cria asas, voa e vai longe”, declara.

> Assista: